12/12/2017 13:12 – Filha que confessou morte da mãe a facadas está sendo julgada pelo Júri

Filha que confessou morte da mãe a facadas

está sendo julgada pelo Júri

O Juiz de Direito Orlando Faccini Neto, da 1ª Vara do Júri da Capital, abriu nesta manhã julgamento pelo Tribunal do Júri que decidirá sobre o crime em que a filha confessou ter matado a mãe. Vera Maria Torres era cadeirante na época e foi morta por Fernanda Torres com golpes de faca.

A sessão começou às 10h, no 6º andar do prédio I do Foro Central. Durante a manhã, foram ouvidas duas testemunhas: a síndica do prédio onde mãe e filha moravam e a irmã da ré.

A primeira oitiva foi a da síndica, que pediu para a ré se retirar da sala e disse não conhecer bem a família porque ¿elas eram muito reservadas¿.

O depoimento da irmã, Juliana Torres, de 34 anos, foi mais detalhado e na presença da ré. Ela contou ao Juiz como era a relação entre as três. Ela foi ouvida como informante, já que move dois processos relativos à herança contra a irmã.

Juliana contou que as duas foram adotadas pela vítima e que a diferença de idade entre elas é de 11 anos. Narrou que nunca teve muita proximidade com Fernanda e, por muitas vezes, exercia o papel de irmã e mãe dela, já que Vera Maria Torres começou a adoecer quando a filha menor tinha 10 anos de idade. ¿Ela começou a perder o movimento das pernas e acabou ficando em uma cadeira de rodas, sem falar direito e usando fraldas¿, explicou Juliana Torres.



Ré (D) está sendo submetida ao Tribunal do Júri.

Previsão de término do julgamento é no final da noite

(Fotos: Eduardo Nichele)

Ela seguiu contando como era o comportamento da acusada em casa e na escola, onde sofria bullying: “Um dia me chamaram na escola para contar que batiam nela, mas ela nunca nos falou nada sobre isso. Os colegas falavam que ela tinha cara de cavalo. Trocamos ela de colégio. Quando estava no último ano, a Psicóloga da escola nos chamou e eu que fui. Ela me disse que a Fernanda tinha escrito uma carta ameaçando um colega. Tinha criado um perfil falso no Facebook com o nome dele e xingava os amigos do menino. Os pais queriam nos processar, mas trocamos ela de colégio na metade do ano e eu pedi desculpas para a família.”

Juliana Torres disse que a mãe não gostava que elas namorassem. Contou aos jurados que a família tinha uma relação conturbada, com discussões, e a mãe era rígida com as filhas. Disse que saiu de casa para morar com o namorado, atual marido, um ano e meio antes da mãe ser morta. “Ela nunca quis conhecer o meu namorado e o clima andava pesado em casa. Eu tinha 29 anos e ela queria me proibir de usar a internet depois da meia-noite.”



Juiz Orlando Faccini Neto preside a sessão

Ao responder para o Juiz se a mãe, por vezes, dizia ter se arrependido de ter adotado as duas, Juliana afirmou que durante as discussões ela dizia isso. E acrescentou: “Depois que saí de casa, nunca mais consegui restabelecer um bom relacionamento com a mãe. A última mensagem dela foi me dando parabéns pelos 30 anos”, lembrou, emocionada.

O magistrado perguntou se ela tinha alguma hipótese para a irmã ter matado a mãe. Juliana disse sempre ter achado que a mãe gostava mais da irmã. “Apesar dela não gostar de ajudar a cuidar da mãe, acreditava que ela tinha gostado que eu tinha saído de casa. Ela tinha reações explosivas, mas nunca imaginei que ela faria isso, se não nunca teria saído de casa. Até hoje me pergunto o que aconteceu.”

O Juiz Orlando Faccini Neto ainda perguntou se a vítima ingeria bebida alcoólica com frequência. Juliana disse que tinha 18 anos quando a mãe parou de beber, mas, até então, costumava tomar quatro garrafas de cerveja por dia.

O depoimento seguiu com as perguntas do Promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim. A defesa da ré está a cargo do Advogado Paulo de Tarso Ribeiro dos Santos.

A previsão é de que o julgamento se estenda até o final da noite.

O caso

O crime ocorreu no dia 30/5/14, na Rua Duque de Caxias, no Centro de Porto Alegre. Segundo a denúncia do Ministério Público, Fernanda apunhalou o pescoço da mãe com uma faca de cozinha. O motivo seria a reprovação da mãe com relação ao seu relacionamento amoroso, somado a uma relação conflituosa aguda, no seio familiar.

Na data do crime a ré possuía 19 anos de idade e a mãe, 68. Ela responde ao processo em liberdade.

Proc. nº 001/21400368551

EXPEDIENTE

Texto: Patrícia Cavalheiro

Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend

imprensa@tj.rs.gov.br 

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Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

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